O PV ESTEVE À CONVERSA COM JOÃO BRÁS, JOVEM REALIZADOR MADEIRENSE, QUE NOS FALOU DA SUA CAMINHADA NO MUNDO AUDIOVISUAL. AUTOR DO FILME 'MÃE', JOÃO PARTILHA UM POUCO DA SUA EXPERIÊNCIA E DOS DESAFIOS DESTA ÁREA. 📽
PV – Podia ter sido o teatro ou a música. Porquê o cinema?
JB – O cinema é a união, de certa forma, de todas as artes, por isso é que também é considerado a sétima arte. Tem a parte do teatro, que é a representação, e a parte do movimento, que se relaciona com a dança. Estas são as artes que mais gosto, e o cinema une-as.
PV – O que te inspirou para a longa-metragem 'Mãe'? Quais foram as tuas motivações pessoais?
JB – Foram dois anos da minha vida dedicados a este projeto. A ideia surgiu porque o meu avô faleceu com Alzheimer, e a minha avó, neste momento, está também acometida pela mesma patologia. Quis fazer este alerta, não só para chamar à atenção para as consequências que esta condição traz aos doentes, mas também pela forma como nós, enquanto cuidadores temos de aprender a lidar com isso. As minhas motivações pessoais foram, sem dúvida, os meus avós e a maneira como a minha família aprendeu a lidar com esta realidade. Quando temos alguém na família com esta doença, temos de continuar com as nossas vidas, mas, mesmo assim, precisamos de arranjar tempo para cuidar de quem, devido à perda de capacidades mentais e físicas, se transforma quase num "bebé grande".
PV - Qual é a principal mensagem que quiseste transmitir através deste trabalho?
JB – O meu objetivo é que o espectador se sinta na pele do personagem e se pergunte: “O que faria eu se estivesse nesta situação?”. Gosto de criticar o mundo em que vivemos e, de certa forma, apontar algumas injustiças sociais. O cinema tem este papel de mudar e influenciar comportamentos. É, por isso, uma ferramenta muito poderosa.
PV - Que conselhos podes deixar a jovens que querem seguir uma carreira nas artes, mas enfrentam dificuldades?
JB – O essencial é não desistir. Fazer incessantemente até sentir que está bom e, depois, perfeito. A minha primeira curta-metragem não correu bem, mas é ao fazer que se aprende. Vamos aperfeiçoando à medida que vamos criando. Quem queira destacar-se na dança terá de dançar muito até conseguir o passo ideal. No teatro, é preciso testar muitas vezes a memória para decorar textos e aperfeiçoar cada vez mais a técnica. No cinema, o processo é o mesmo: gravar várias vezes e experimentar diferentes abordagens. É uma evolução contínua.
PV - Quais são os princípios ou valores que os jovens devem cultivar para alcançar o sucesso?
JB – É preciso ter foco. É pensar: “Eu quero fazer isto, vou continuar a fazer isto, vou seguir este caminho e não vou deixar que nada me abale”. Não podemos ser os nossos próprios juízes e dizer que não conseguimos alcançar as nossas metas só porque são difíceis. Temos de acreditar no nosso potencial. Somos o futuro e precisamos de falar sobre temas importantes, alertando a sociedade para essas realidades. O objetivo desta longa-metragem é sensibilizar para a situação dos cuidadores informais, que muitas vezes deixam de ter tempo para si próprios e para outros membros da família que também precisam de atenção.
PV - O que sentes depois de teres sido capaz de realizar a longa-metragem?
JB – Sinto que, depois de tanto trabalho e esforço, é possível realizar qualquer coisa. Foram dois anos de enorme aprendizagem, durante os quais vivi várias experiências e aprendi a lidar com os diferentes obstáculos que surgiram pelo caminho. Depois de concluir esta longa-metragem, sinto que ganhei uma bagagem muito maior e acredito que os próximos projetos serão ainda melhores.
PV – Qual foi o momento mais emotivo durante a produção de 'Mãe'?
JB – Sem dúvida, a cena em que o Mário, filho da Dolores, que sofre de Alzheimer, dança com a mãe ao som de 'Noites da Madeira', de Max, e ela se lembra da letra da música. É uma cena muito bonita, que apela ao coração.
PV - Se pudesses oferecer um Óscar às pessoas que te ajudaram a produzir e a realizar a longa-metragem 'Mãe', quem seria o vencedor?
JB – Ofereceria o Óscar à minha família, que nunca me deixou desistir do sonho de ser realizador de cinema. O meu pai deu-me a minha primeira câmara de filmar e a minha mãe sempre me incentivou a ser persistente nos meus objetivos. Sem dúvida, eles foram os meus grandes impulsionadores.
PV - O que é que a ES de Jaime Moniz te ensinou para a vida?
JB – A ES de Jaime Moniz ajudou-me a crescer intelectual e pessoalmente. Frequentei o Curso Profissional de Artes Visuais, que me deu muitas ferramentas na parte do audiovisual. Quando ingressei na Universidade de Aveiro, no curso de Novas Tecnologias da Comunicação, já tinha um bom nível de conhecimentos, talvez até mais do que teria se tivesse seguido o ensino regular. Outro aspeto importante foi a minha participação no Clube de Dança e no Clube de Teatro – Carlos Varela. A escola deu-me, sem dúvida, as ferramentas necessárias para entrar no ensino superior e chegar onde estou hoje.
- Dezembro: Vera Coelho e Leonor Benedito (EBS D.ª Lucinda de Andrade - São Vicente)
- Janeiro: Bernardo Olim (ES Jaime Moniz - Funchal)
- Fevereiro: Inês Perestrelo (EBS Dr. Ângelo Augusto da Silva - Levada)
- Março: Luana Coelho (EBS Padre Manuel Álvares - Ribeira Brava)
- Abril: Natacha Batista (EBS da Ponta do Sol)
Carolina Ferreira, Cristiano Abreu, Débora Gouveia, Luís Vieira e Valentina Ochoa
Este trabalho pretende capturar a graciosidade da dança num percurso ascensional. A solução encontrada foi um registo da simultaneidade de momentos, numa simbiose do arrastado de uma longa exposição com o instantâneo do disparo de flash.
Em termos técnicos, estes registos múltiplos foram obtidos com exposições de 2 a 5 segundos, o que permitiu capturar o movimento num registo mais prolongado. Para além da iluminação artificial do palco, foram usados vários disparos de flash ao longo da exposição. Em concreto, foi utilizado um flash com ligação remota, operado por um assistente, em modo manual (de forma a permitir vários disparos numa mesma fotografia). Em duas imagens recorreu-se à sobreposição de duas fotografias para completar o movimento.
Equipamento:
Câmara: Canon 5D mk2
Objetiva: Canon 17-40mm f/4 L
Maria do Rosário de Nóbrega Pupo Correia
Escola Secundária Jaime Moniz
MN - Gostaria de lhe perguntar como se começa a ser um escritor aceite por uma editora e com livros vendidos?
DA - Eu costumo dizer sempre que ninguém nasce escritor. Podemos é nascer com uma propensão maior para gostar de histórias. Há um dia em que decidimos escrever um livro. Comigo foi depois de vários anos a trabalhar enquanto jornalista e, pelos 29 anos, quis escrever. É o momento inicial em que a pessoa tem que escrever um manuscrito e encontrar uma editora que publique. É sempre um momento de alguma angústia mas eu tive sempre muita sorte, desde que apresentei o meu primeiro livro. Não estava escrito que eu tinha que ser escritor mas acabei por sê-lo e acho que tem corrido bem.
MN - Quais as fontes inspiradoras das suas histórias e de que maneira a obra da sua mãe o inspira?
DA - No caso dos romances históricos, a minha fonte de inspiração é ter algum fascínio especial sobre aquela época. Por alguma razão, são épocas que eu gosto especialmente e foi isso que me inspiraram a escrever livros passados nessa época. Uma coisa é sobre o que queremos escrever, mas depois é a maneira como escrevemos e aí sim, talvez haja alguma influência da minha mãe, na parte do romance, nas ligações entre as pessoas.
MN - Numa entrevista a revista Estante, falou no seu Top 10 livros. De que maneira essas obras tornam a sua obra literária a obra que é?
DA - Ás vezes é difícil perceber qual a influência que esses grandes escritores têm sobre nós. Sabemos que ficamos absolutamente deslumbrados com aquele livro. Tolstoi, Hemingway são alguns desses nomes cujos livros nos deslumbram. A questão é: o que é que disso é transformado por nós? Isso é o mais difícil. Não sei muito bem identificar o que é que em mim foi influência deles, só sei que influenciou. O mais importante num grande escritor é saber contar uma história de uma forma muito original, que possamos dizer “isto é aquele escritor”. Acho que a influência está nessa ideia da originalidade.
MN - O que lhe agrada na Literatura no século XXI em Portugal?
DA - Tem havido, nos últimos anos, muitos escritores e isso é bom. Jovens portugueses a começar, vários estilos, várias receitas. O tempo fará o seu trabalho, vendo aqueles que têm essa originalidade e aqueles que apenas são para ler num outro contexto. Gosto sobretudo do facto de ser muito ecléctico e há aí muita riqueza.
MN - É necessária a morte do escritor para que a sua obra seja reconhecida?
DA - Não é necessário mas é algo que acontece. Estou convencido que hoje em dia já há um público reconhecimento em vida. O que acontece é que muitos escritores têm uma visão futurista, o que leva a um reconhecimento póstumo.
MN - A partir de que momento deixa de ser visto enquanto filho de Freitas do Amaral e se autodetermina enquanto O escritor Domingos Amaral?
DA - Durante algum tempo eu senti essa identidade de filho de. Mas há uma altura em que isso muda, embora não saiba dizer quando. O facto de trilhar o nosso próprio caminho constrói para nós o nosso espaço, autónomo dos nossos pais. O meu trabalho valia só por si e isso foi sempre uma segurança que me fazia não me incomodar com essa definição. Essa autodeterminação foi acontecendo, foi um progresso do meu trabalho.
MN - De todos os seus livros, qual lhe deu mais gozo escrever?
DA - Há o chamado gozo inicial e o gozo final. Gozo inicial senti em todos. Gozo final, alguns dão mais que outros. Nesse sentido, refiro “Enquanto Salazar dormia” e a trilogia “Assim nasceu Portugal”.
MN - Já possui projeto de um novo romance?
DA - Sim mas ainda é muito embrionário. A verdade é que estou sempre a pensar sobre algo novo, mas neste momento, após a entrega do 3º livro da trilogia, vou aproveitar para descansar e o seguinte virá com certeza.
Quinta Vigia, um lugar onde predomina a natureza, a pureza, o espírito, o realismo do século XVII e onde tudo aos nossos olhos parece surreal. Um lugar acolhedor e de facto de uma beleza incrível: jardins que parecem imutáveis e horizontes que parecem intermináveis.
Quando nascera, tinha o nome de Quinta das Angústias, pois lá havia sido construída uma capela que, por sua vez, invocava Nossa Senhora das Angústias. Esta Quinta foi para muitos um lar, e para outros um local milagroso, onde era possível curar a tuberculose. Mais tarde, passa a denominar-se de Quinta Lambert, depois de ser adquirida pelo Conde Alexandre Lambert, e pouco tempo depois volta a ter o nome de Quinta das Angústias quando adquirida novamente por um madeirense em 1903.
Mais tarde a 2 de Maio de 1984 foi restaurada e inaugurada como Residência Oficial do Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Miguel Albuquerque, que nos surpreendeu com a sua presença durante a nossa visita de estudo à Quinta Vigia, organizada pela Professora Sandra Martins, no passado 14 de Dezembro. O próprio presidente a elucidar-nos, de forma simples e informal, do historial deste imóvel que é património da Região.
O convívio com o Senhor Presidente Miguel Albuquerque foi de facto excelente, pois é uma pessoa excecional que nos contagia a todos com a sua sabedoria e boa disposição. Inúmeras emoções se refletiram em nós perante a beleza e a graciosidade da mesma Quinta e do seu gentil anfitrião, que sem dúvida nos marcou.
Pelas 16h00, o Senhor Presidente Miguel Albuquerque fez questão de nos oferecer um lanche, uma cortesia inigualável e imprevista, que decorreu por entre os tão belos jardins da Quinta Vigia, para nós uma das melhores paisagens também sobre a nossa Pérola do Altlântico.
Uma visita de estudo que culminou num encontro distinto e afável pelo anfitrião que nos recebeu e esclareceu e pela beleza ímpar que envolve um espaço que mora dentro da cidade e que talvez não seja ainda do conhecimento adequado de todos. Convida-se, pois, os madeirenses a contemplarem a infinita beleza da Quinta Vigia.
Borgonha, o poeta, passeava pelos jardins de uns amigos, esperando que algo o inspirasse, quando a viu, usando um longo vestido feito de céu noturno, contrastante com a sua pele de alabastro. Os cabelos enrolavam-se em caracóis negros. A boca era pequena e os olhos cruéis e…sedutores. Então moveu-se, o vestido ondulando atrás dela. O seu aroma permaneceu no ar.
Borgonha teve certeza absoluta que era e sempre seria a sua grande ideia. Viu por ali um amigo a quem perguntou a identidade da mulher:
- Uma mulher vestida de preto? Ana de Sousa ou a Carla Borges dos poemas de Ricardo Sampaio.
Logo agora que encontrara alguém que seria a sua inspiração, alguém para amar … e era a musa de outro, do seu maior rival! Poeta infeliz! Não, não deixaria que Sampaio lhe roubasse a arte e o amor. Mostrar-lhe-ia quem era o melhor. Despediu-se do amigo.
De regresso a casa, Borgonha trancou-se no escritório e escreveu. Eram poemas de amor.
Durante meses, o poeta descobrira que Ana era inteligente. Discutia política, filosofia e arte. A expressão entediada dela transformava-se em deleite quando conseguia provar ser superior aos tolos galanteadores.
Nesses momentos Borgonha ficava feliz por se ter apaixonado por ela, porque a cada dia que passava dedicava-lhe mais um poema, e ao final de um ano publicara uma coletânea sobre ela, que fora um sucesso.
Após a publicação, Borgonha festejou, rodeado dos maiores nomes nacionais e, para sua surpresa, Ana também lá se encontrava.
- Haveis escrito sobre mim.
O poeta começou a suar. E se ela não tivesse gostado? Não, ele tinha feito todos aqueles versos com tanto amor e dedicação. Talvez a sua relação com Ricardo Sampaio estivesse em causa e por isso andasse irritada?
-Estais enganada. Não escrevi sobre vós.
-Não gosto quando invadem a minha privacidade.
-Novamente, senhora? …
-Conheço o ofício, escusais de o negar.
O poeta tentou ocultar o ciúme que sentia quando disse:
-Contudo permitis que Ricardo Sampaio escreva sobre vós. Inesperadamente, Ana riu-se e fê-lo enrubescer.
-Não vejo a piada.
-A piada … é que eu sou Ricardo Sampaio.
-Como? – Exclamou incrédulo.
-Fácil. Publico as minhas obras sob pseudónimo masculino. As mulheres não têm liberdade, mas não iria ser esse fator que me impediria de concretizar um sonho.
-Isso significa que o meu maior rival é a mulher que amo? Não só sois bela, inteligente e ainda me fazeis ralar de ciúmes… mas não retirarei as obras das livrarias.
-Perdão?
-Ouvistes bem. Aqueles poemas são a prova de que vos amo e quero que todos saibam.
-E a minha privacidade?- questionou chocada.
-Aposto que a Carla Borges não se importou com isso.
-Ela nunca teve a astúcia suficiente para descobrir que eu falava sobre ela. Afinal ainda não percebeste?- sussurrou
Borgonha ficou imóvel por um momento, depois envolveu –a com os braços e ela retribuiu.
Não disseram mais nada. Havia momentos em que as palavras não serviam nem aos poetas.


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