Ilustração de Érica Melim, EB/PE/C do Caniçal (concurso 'A capa do A TUA VEZ é minha)

A Europa sempre enfrentou múltiplas dificuldades, desde crises económicas e migratórias até períodos de instabilidade, guerras e epidemias. Ainda assim, há um padrão que se repete não apenas neste continente, mas em todo o mundo: a procura pela democracia. 

Desde o seu surgimento na Grécia Antiga, a democracia foi, ao longo da história, mais um privilégio do que a norma. Mesmo quando existiu, foi muitas vezes limitada ou interrompida, quer pelo poder absoluto dos monarcas, quer pela imposição de regimes autoritários. Basta recordar a ascensão do comunismo, do nazismo ou do próprio Estado Novo para compreender que a democracia é uma conquista frágil e relativamente recente.

Tudo isto demonstra que a ideia de um povo representado e livre para escolher o seu próprio caminho não é nova, o que é verdadeiramente recente é o facto de esse modelo estar hoje mais amplamente difundido do que em qualquer outro momento da história.

Apesar disso, cresce o número de pessoas que defendem alternativas autoritárias, argumentando que a democracia é lenta, burocrática e orientada para políticas de curto prazo. Sustentam que uma população mais desinformada ou emocional pode eleger líderes incompetentes, seduzida por discursos com palavras mansas ou pela aparência de competência, muitas vezes assentes em soluções vazias para problemas complexos.

Essas críticas não são novas. John Adams, um dos pais fundadores dos EUA, disse uma vez: “A democracia nunca dura muito. Ela rapidamente se desgasta, se esgota e se suicida.” ou Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, ironizou: “O melhor argumento contra a democracia é uma conversa de cinco minutos com um eleitor mediano”.

Então se a democracia tem tantos defeitos, porque é que continuamos numa democracia?

Sabendo que ela tem tantas imperfeições, porque é que nos países onde esta não existe, são onde a população tão fortemente a procura?

A resposta é simples. A democracia não é perfeita, nenhuma coisa terrena o é. A democracia é liberdade, é igualdade e é justiça. A democracia é imperfeita porque nos representa, porque nós, humanos, somos imperfeitos.

Numa democracia, os erros podem ser denunciados e corrigidos. Nas autocracias, os erros simplesmente não existem, porque quem os aponta é silenciado, preso ou eliminado. A ausência de crítica não é sinal de eficiência, mas de medo.

Tanto John Adams como Winston Churchill, depois das frases que foram referidas anteriormente, disseram: "Como a felicidade do povo é o único fim do governo, o consentimento do povo é a sua única fundação.” – John Adams, e “A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais” – Winston Churchill.

Por isso, as críticas e os problemas que possui a democracia são, efetivamente, reais e com fundamentos, no entanto, considero que nós como europeus já estamos habituados a liberdade, a justiça e a igualdade e é por essa razão que nós, muitas vezes, nos esquecemos de como é viver sem estes valores.

Essa realidade torna-se particularmente evidente quando observamos países onde a democracia deixou de existir.

Eu nasci na Venezuela, já vivi numa autocracia. Vi, com os meus próprios olhos, pessoas cujo trabalho árduo era usado para financiar os luxos dos ditadores; cidadãos presos arbitrariamente e torturados apenas por discordarem do governo; homens e mulheres que se manifestavam pacificamente serem recebidos com disparos; e famílias obrigadas a partir com nada para um futuro incerto. 

A minha experiência revela um padrão claro: quanto mais direitos e liberdades são retirados, mais o povo luta pela democracia. A democracia não é um luxo ocidental, é uma necessidade humana. 

Porque a democracia é liberdade, e a liberdade é inerente a qualquer ser humano. Só um povo livre é capaz de  exercer plenamente os seus direitos. A democracia é um acordo social, o único acordo onde dois partidos que se destruiriam entre si em vez disso, falam e discutem para o povo decidir. Essa é a chave: o povo decide o seu caminho, em vez de ser oprimido. 

Por isso, não avancemos, ou melhor, não recuemos, para a opressão autoritária. Sigamos o caminho em que corrigimos as nossas falhas, investimos na educação sobre política e economia da população, promovendo decisões mais informadas. Só assim, fortalecendo o pensamento crítico coletivo, ou seja, o nosso próprio pensamento crítico, é que existe a possibilidade de construir democracias mais conscientes e justas. 

Assim, defender a democracia não é ignorar os seus defeitos, mas reconhecer que, apesar deles, continua a ser o sistema que melhor protege a nossa dignidade. A vossa dignidade.

Matthew de Andrade

EB/PE de Santo António e Curral das Freiras (Funchal)



VIII série do 'A TUA VEZ' - março 2026 

Na Camacha a voz desperta,
Jovens em luta, porta aberta.
Direitos e cidadania a ecoar,
No coração da escola a brilhar.
Cada palavra é semente,
Cada gesto faz diferença no presente.
Queremos habitação, espaço e lugar,
Oportunidades reais para sonhar.
Na ilha da Madeira sentimos o peso,
De transportes, casas e emprego escasso a enfrentar,
Mas a nossa voz não se deixa calar,
Sobre os problemas locais vamos atuar.
O mundo lá fora também está a clamar,
Guerras e conflitos a nos impactar.
Irão, E.U.A, crises sem fim,
Mostram que a justiça começa em mim.
Somos jovens, conscientes e fortes,
Aprendemos a lutar sem temer os cortes.
Cidadania é ação, direitos é voz,
Na Camacha fazemos o mundo a nossa voz.

Dhannelis Quintal
Escola Básica com Pré-escolar e Creche Dr. Alfredo Ferreira de Nóbrega Júnior (Escola da Camacha) 



No âmbito de uma atividade de Inglês, na Escola Secundária de Jaime Moniz, os alunos foram desafiados a transformar fotografias das suas férias (recriadas por IA para preservar a privacidade) em histórias originais.

Em grupo, partilharam imagens, construíram narrativas conjuntas e defenderam-nas numa dinâmica inspirada em campanhas eleitorais. Deste processo colaborativo nasceram dois contos vencedores, que agora partilhamos.

E como o desafio era em Inglês… let the stories begin!

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No dia 09 de outubro de 2025, os alunos, professores e funcionários da Escola Secundária de Francisco Franco reuniram-se no pavilhão gimnodesportivo da mesma para celebrar o dia da escola, que coincidiu com os 136 anos da instituição. 

Foram homenageados 544 alunos de 11.º e 12.º anos com médias iguais ou superiores a 17 valores, bem como alguns professores e funcionários que cessaram funções. Estiveram presentes na sessão o Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Miguel Albuquerque, a Senhora Secretária Regional da Educação, Ciência e Tecnologia, Doutora Elsa Fernandes, e os órgãos diretivos da escola. 


Outro momento de destaque, além das homenagens e dos discursos, foi a atuação do Núcleo de Música que interpretou, entre outros temas, o Hino da Escola. 


Foram várias as entidades que participaram e atribuíram prémios aos alunos na cerimónia, tais como a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Engenheiros, a Ordem dos Arquitetos, a Ordem dos Advogados, a Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, a EquipVending, a Indutora, Meo empresas, VMT, Porto Editora e Grupo Sousa. 


Para muitos alunos, o dia foi o reconhecimento de um percurso de esforço e dedicação.


O Dia da Escola terminou com uma mensagem de esperança e compromisso: continuar a construir uma escola de excelência, aberta ao mundo e à comunidade.




Correspondentes do PV: Júlia Barros e Iago Fernandes





Num mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, será que ainda sabemos o que é "criar com as mãos"? ⚙️✨

Atualmente, pedimos uma imagem, um texto ou uma resposta e, em segundos, temos tudo à frente dos olhos. Mas será que a rapidez de acesso substitui o valor do erro, do caminho que se percorre?

📚 No conto que partilhamos hoje, viajamos até uma pequena aldeia, onde Elias — um velho inventor — nos lembra que a essência humana vive nas pequenas coisas: na paciência de montar engrenagens, no brilho dos olhos ao ver algo ganhar forma, no tempo dedicado a aprender e ensinar.

Uma leitura que nos faz parar e pensar: 🤖 será que estamos a perder a emoção do Eureka?




💭 Já pensaste no que significa ser consumidor?

No dia 15 de março assinala-se o Dia Mundial do Consumidor, uma data que nos convida a olhar para as nossas escolhas com mais atenção. Num mundo cada vez mais "inundado" de publicidade e de opções de compra, é fácil esquecer-se que consumir também é um ato com impacto 🌍 social, 💼 ético e 🌱 ambiental.

Neste sentido, há um conto da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol, escrito pela aluna Ana Clara Silva, que nos faz refletir sobre tudo isto. Porque consumir não é só comprar — é escolher. E escolher pode mudar o mundo!✨

📚 Lê o conto completo e reflete no impacto das tuas compras... 🤔


"No passado dia 15 de março, a minha escola assinalou o Dia Mundial do Consumidor - uma data que, à primeira vista, pode não parecer muito relevante, mas que, na verdade, tem cada vez mais importância no mundo em que vivemos. Confesso que, até há pouco tempo, nunca tinha parado verdadeiramente para pensar sobre o que significa ser consumidor. Para mim, como para muitos colegas, consumir era simplesmente comprar aquilo de que gostamos ou precisamos. Nunca tinha pensado no peso que essas decisões podem ter, não só para nós, mas para o mundo à nossa volta.

Vivemos rodeados por anúncios, promoções irresistíveis e aquela sensação constante de que precisamos de mais alguma coisa. É fácil deixarmo-nos levar e pensar que estamos sempre no controlo. Mas, na realidade, o ato de consumir tem consequências - sociais, ambientais e até éticas. E o Dia do Consumidor serve, precisamente, para nos lembrar disso.

Ao assinalar esta data, percebi como é raro falarmos sobre consumo consciente. Muitas vezes, compramos por impulso ou por hábito, sem nos questionarmos sobre quem produziu aquilo que levamos para casa, em que condições foi feito, ou que impacto pode ter no ambiente. Esta data fez-me olhar para o consumo de outra forma - como uma escolha com impacto, e não apenas uma resposta a uma vontade momentânea.

Também nos leva a pensar nas empresas: será que estão a ser honestas connosco? Será que respeitam os direitos dos trabalhadores e do planeta? Como consumidores - mesmo sendo jovens - temos o direito (e o dever) de exigir mais: mais transparência, mais ética, mais responsabilidade.

É certo que ainda estamos a aprender, mas isso não significa que não possamos começar a fazer a diferença. Pequenas mudanças nas nossas escolhas podem ter um grande impacto. E talvez esse seja o verdadeiro significado do Dia do Consumidor: lembrar-nos de que, mesmo com gestos simples, podemos contribuir para um mundo mais justo e sustentável."



🌍 Já alguma vez te questionaste sobre a origem do nome Europa? 


Acredita-se que remonta à mitologia grega🔍 ... Europa, uma princesa fenícia raptada por Zeus, serviu o seu nome de inspiração para nomear este vasto e diverso continente. Todavia, a Europa é muito mais do que antigas lendas — ao longo dos séculos, foi palco de impérios, guerras e renascimentos.

Até que, em 1957, nasceu um novo sonho: a União Europeia criada para unir povos em nome da paz, da cooperação e do desenvolvimento sustentável.  

Hoje, mais do que nunca, a voz dos jovens é essencial para prosseguir a construção do futuro deste projeto comum! 🌱✨ 

Neste espírito, os alunos da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol partilham connosco um poema que nos desafia a refletir sobre o presente e a imaginar um amanhã mais justo, inclusivo e verde. 🍃


📖 Lê o poema completo e sente o pulsar de uma Europa sonhada por quem acredita que a mudança começa... agora.